quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Analfabetismo Político

Eu sempre me considerei uma analfabeta política, nunca entendi o que era esquerda, direita, oposição, situação... Saber das siglas dos partidos então nem se fala: P-A, P-B, P-C, P-D P-o alfabeto todinho... haja partido! Até tentei algumas vezes assistir o horário eleitoral (forçada por mim mesma para tentar entender um pouco de política),mas vou confessar, nunca consegui entender o que os políticos falavam.

Para mim Eleições era algo como um campeonato, times disputando para ver quem ia ganhar um prêmio, um troféu. Sempre votei, por que o voto era obrigatório, mas sem muita consciência do que aquilo representava (é triste, mas é a verdade). Tudo começou a mudar quatro anos atrás quando assisti uma entrevista de Marina Silva, pela primeira vez na vida um político falou algo que eu compreendi! Enquanto todos os entrevistadores sempre forçam esse assunto de saber se algum candidato é a favor ou contra o governo, direita, esquerda, capitalista, socialista, comunista e tantos istas, Marina se posicionava de um lado que eu achava que não existia, o lado da população.

“Ah Hellen, mas você é muito utópica, é só mais uma balela de político! Você acha que os políticos estão preocupados com o povo?”, bem para mim isso não é utópico, é lógico. Como eu nunca pensei nisso antes? Como eu nunca pensei que a população merecia mais que dentaduras e sacos de cimento? (quero só informar que nunca recebi nada de nenhum político). Sempre tive a impressão de que os beneficiados de uma eleição eram os políticos e que isso era o normal.

Há uns meses atrás, sabendo que Marina não se canditaria a presidente, fui pesquisar a quem ela se aliou, Eduardo Campos. Mas me limitei a ouvir opiniões de pernambucanos, a única entrevista que eu vi dele foi no Samuka, então o fenômeno aconteceu novamente: eu entendi o que ele falou, terá sido coincidência? Lembro que ele falou sobre drogas. Então fiquei tranquila, já sabia em quem ia votar, então aconteceu essa tragédia.

Pesquisas indicam que Marina (se escolhida como candidata) possivelmente vai para o segundo turno. Para mim, isso não interessa, votei nela na eleição passada, vou votar novamente pelo mesmo motivo, eu entendi e acreditei no que ela falou (e fala). Também estou bem consciente de que não importa quem ganhe, não colheremos frutos de uma mudança em 2015, talvez nem em 2025, mas precisamos plantar algo novo. O tempo vai passar do mesmo jeito. Estou me preocupando com os meus filhos e netos.

E se daqui a quatro anos o Brasil estiver do mesmo jeito, ou pior quem sabe? Terei consciência de que tentei fazer algo novo, fiz a minha parte. Já disse aqui antes que amo o meu país, mesmo subdesenvolvido e mal administrado (pelo menos por enquanto, espero), a frase dita por Eduardo Campos é exatamente o que eu penso: “Não vamos desistir do Brasil, é aqui onde vamos criar nosso filhos”.

De uma ignorante politica em processo de alfabetização


*Texto publicado em meu perfil pessoal no Facebook em 19/08/2014

Sobre a brevidade da vida

Eu não gosto de ver vídeos, sou a última pessoa a ver um vídeo que todo mundo compartilha (e só depois de ver quem compartilhou e os comentários sobre o vídeo), mas semana passada eu vi um vídeo que me chocou. 
Em Belo Horizonte, no momento em que um viaduto caiu, muitas pessoas que estavam ali filmaram o ocorrido. Marcaram-me em um desses vídeos e não sei por que assisti de cara. Uma cena muito triste, uma verdadeira tragédia. O que mais me chocou foi ver a motorista do ônibus ainda com vida. Chorei. Uma coisa é ver uma ponte caída, outra é ver uma pessoa em baixo dela. Aquela imagem ficou na minha cabeça (acho que por isso não gosto muito de ver vídeos, fico impressionada com facilidade).
Não fui atrás das notícias sobre esse acidente, nem em saber quantas pessoas morreram ou ficaram feridas, sou muito fraca para essas coisas. Meus sentimentos aos familiares que perderam entes queridos, que Deus conforte o coração de vocês.
No fim de semana fiz uma pequena viagem com a igreja que faço parte e no caminho ia pensando naquela situação e Deus falou profundamente comigo.  Lembrei-me de várias passagens do livro de Eclesiastes, onde Salomão fala da brevidade da vida e sobre coisas que não podemos controlar.
“Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.
que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles.
Eclesiastes 9:11-12
“Nenhum homem há que tenha domínio sobre o espírito, para o reter; nem tampouco tem ele poder sobre o dia da morte.” Eclesiastes 8:8
“Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.” Eclesiastes 9:2
“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.”Eclesiastes 9:10
Fiquei pensando naquelas pessoas que saíram para trabalhar naquele dia, fiquei pensando em todos os dias em que saio para trabalhar. Fiquei pensando em como fazemos planos, como nos sentimos potentes, fortes e às vezes até “imortais”. Não acho que seja ruim fazer planos, pelo contrário, isso é o que nos move, mas quando perdemos a noção da nossa real condição, nos tornamos tolos.
Fez-me lembrar dum fato que li sobre Steve Jobs. Quando descobriu que estava com câncer e que provavelmente teria pouco tempo de vida, ele decidiu fazer um barco que demoraria anos para ficar pronto (provavelmente depois que ele morresse). O que eu achei mais interessante na história toda é que ele disse que ficaria muito triste se vivesse mais do que o esperado e não tivesse começado a construir o barco.  Enfim, ele morreu e não viu o barco ficar pronto, mas esse projeto o incentivou a ficar vivo. Achei admirável ele aceitar a sua condição e mesmo assim não se entregar a morte.
Quantas coisas nós sonhamos realizar? Uma casa melhor, um carro, quitar uma dívida, entrar na faculdade, casar, ter filhos... todos temos sonhos e repito: não é errado sonhar. Mas para certas coisas existe um tempo a esperar, um preço a pagar. E pode ser que nunca alcancemos certos sonhos (não é o que eu espero, mas é a verdade)
O que mais me incomodou em refletir sobre tudo isso foi lembrar que existem coisas que não precisam esperar. Existem coisas que podemos fazer hoje, agora, já e ... não fazemos. Acredito que essas coisas simples são as que mais trazem arrependimento. Perdoar, dizer que ama, que quer bem, fazer uma visita ou uma ligação, brincar com seus filhos e netos, ir à praia ou à praça, e por fim o mais importante (para mim) pensar na sua eternidade. Talvez muitos leitores aqui não sejam cristãos, não creiam na Bíblia, tudo bem, respeito. Eu acredito na Bíblia e segundo ela só há uma maneira de ser salvo e ir para o céu: aceitar a JESUS como Salvador. Só temos essa vida para decidir isso, e não sabemos quanto tempo ela vai durar.
Minha conclusão disso tudo? Não espere ~tempo~ para fazer coisas que você pode fazer agora, não se desespere por ainda não ter alcançado seus objetivos, mas não deixe de tê-los. Saiba que somos como uma erva que hoje está viva e amanhã não mais, não temos poder sobre o dia da nossa morte, o que podemos fazer devemos fazer enquanto estamos vivos pois não sabemos se o dia de amanhã será bom ou mau.




 *Texto publicado no meu outro blog Cristã e Chic em 07/07/14