Eu sempre me considerei uma analfabeta política, nunca entendi o que era esquerda, direita, oposição, situação... Saber das siglas dos partidos então nem se fala: P-A, P-B, P-C, P-D P-o alfabeto todinho... haja partido! Até tentei algumas vezes assistir o horário eleitoral (forçada por mim mesma para tentar entender um pouco de política),mas vou confessar, nunca consegui entender o que os políticos falavam.
Para mim Eleições era algo como um campeonato, times disputando para ver quem ia ganhar um prêmio, um troféu. Sempre votei, por que o voto era obrigatório, mas sem muita consciência do que aquilo representava (é triste, mas é a verdade). Tudo começou a mudar quatro anos atrás quando assisti uma entrevista de Marina Silva, pela primeira vez na vida um político falou algo que eu compreendi! Enquanto todos os entrevistadores sempre forçam esse assunto de saber se algum candidato é a favor ou contra o governo, direita, esquerda, capitalista, socialista, comunista e tantos istas, Marina se posicionava de um lado que eu achava que não existia, o lado da população.
“Ah Hellen, mas você é muito utópica, é só mais uma balela de político! Você acha que os políticos estão preocupados com o povo?”, bem para mim isso não é utópico, é lógico. Como eu nunca pensei nisso antes? Como eu nunca pensei que a população merecia mais que dentaduras e sacos de cimento? (quero só informar que nunca recebi nada de nenhum político). Sempre tive a impressão de que os beneficiados de uma eleição eram os políticos e que isso era o normal.
Há uns meses atrás, sabendo que Marina não se canditaria a presidente, fui pesquisar a quem ela se aliou, Eduardo Campos. Mas me limitei a ouvir opiniões de pernambucanos, a única entrevista que eu vi dele foi no Samuka, então o fenômeno aconteceu novamente: eu entendi o que ele falou, terá sido coincidência? Lembro que ele falou sobre drogas. Então fiquei tranquila, já sabia em quem ia votar, então aconteceu essa tragédia.
Pesquisas indicam que Marina (se escolhida como candidata) possivelmente vai para o segundo turno. Para mim, isso não interessa, votei nela na eleição passada, vou votar novamente pelo mesmo motivo, eu entendi e acreditei no que ela falou (e fala). Também estou bem consciente de que não importa quem ganhe, não colheremos frutos de uma mudança em 2015, talvez nem em 2025, mas precisamos plantar algo novo. O tempo vai passar do mesmo jeito. Estou me preocupando com os meus filhos e netos.
E se daqui a quatro anos o Brasil estiver do mesmo jeito, ou pior quem sabe? Terei consciência de que tentei fazer algo novo, fiz a minha parte. Já disse aqui antes que amo o meu país, mesmo subdesenvolvido e mal administrado (pelo menos por enquanto, espero), a frase dita por Eduardo Campos é exatamente o que eu penso: “Não vamos desistir do Brasil, é aqui onde vamos criar nosso filhos”.
De uma ignorante politica em processo de alfabetização
*Texto publicado em meu perfil pessoal no Facebook em 19/08/2014
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Sobre a brevidade da vida
Eu não gosto de ver vídeos, sou a última
pessoa a ver um vídeo que todo mundo compartilha (e só depois de ver quem
compartilhou e os comentários sobre o vídeo), mas semana passada eu vi um vídeo
que me chocou.
Em Belo Horizonte, no momento em que um
viaduto caiu, muitas pessoas que estavam ali filmaram o ocorrido. Marcaram-me
em um desses vídeos e não sei por que assisti de cara. Uma cena muito triste,
uma verdadeira tragédia. O que mais me chocou foi ver a motorista do ônibus
ainda com vida. Chorei. Uma coisa é ver uma ponte caída, outra é ver uma pessoa
em baixo dela. Aquela imagem ficou na minha cabeça (acho que por isso não gosto
muito de ver vídeos, fico impressionada com facilidade).
Não fui atrás das notícias sobre esse
acidente, nem em saber quantas pessoas morreram ou ficaram feridas, sou muito
fraca para essas coisas. Meus sentimentos aos familiares que perderam entes
queridos, que Deus conforte o coração de vocês.
No fim de semana fiz uma pequena viagem com a
igreja que faço parte e no caminho ia pensando naquela situação e Deus falou
profundamente comigo. Lembrei-me de
várias passagens do livro de Eclesiastes, onde Salomão fala da brevidade da
vida e sobre coisas que não podemos controlar.
“Voltei-me, e vi debaixo do sol que
não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos
sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos
entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.
que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles.
Eclesiastes 9:11-12
que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles.
Eclesiastes 9:11-12
“Nenhum
homem há que tenha domínio sobre o espírito, para o reter; nem tampouco tem ele poder
sobre o dia da morte.” Eclesiastes 8:8
“Tudo
sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro;
assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador;
ao que jura como ao que teme o juramento.” Eclesiastes 9:2
“Tudo quanto te vier à mão para
fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque
na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento,
nem sabedoria alguma.”Eclesiastes 9:10
Fiquei pensando naquelas pessoas que saíram
para trabalhar naquele dia, fiquei pensando em todos os dias em que saio para
trabalhar. Fiquei pensando em como fazemos planos, como nos sentimos potentes,
fortes e às vezes até “imortais”. Não acho que seja ruim fazer planos, pelo
contrário, isso é o que nos move, mas quando perdemos a noção da nossa real
condição, nos tornamos tolos.
Fez-me lembrar dum fato que li sobre Steve
Jobs. Quando descobriu que estava com câncer e que provavelmente teria pouco
tempo de vida, ele decidiu fazer um barco que demoraria anos para ficar pronto
(provavelmente depois que ele morresse). O que eu achei mais interessante na
história toda é que ele disse que ficaria muito triste se vivesse mais do que o
esperado e não tivesse começado a construir o barco. Enfim, ele morreu e não viu o barco ficar
pronto, mas esse projeto o incentivou a ficar vivo. Achei admirável ele aceitar
a sua condição e mesmo assim não se entregar a morte.
Quantas coisas nós sonhamos realizar? Uma
casa melhor, um carro, quitar uma dívida, entrar na faculdade, casar, ter
filhos... todos temos sonhos e repito: não é errado sonhar. Mas para certas
coisas existe um tempo a esperar, um preço a pagar. E pode ser que nunca
alcancemos certos sonhos (não é o que eu espero, mas é a verdade)
O que mais me incomodou em refletir sobre
tudo isso foi lembrar que existem coisas que não precisam esperar. Existem coisas
que podemos fazer hoje, agora, já e ... não fazemos. Acredito que essas coisas
simples são as que mais trazem arrependimento. Perdoar, dizer que ama, que quer
bem, fazer uma visita ou uma ligação, brincar com seus filhos e netos, ir à
praia ou à praça, e por fim o mais importante (para mim) pensar na sua
eternidade. Talvez muitos leitores aqui não sejam cristãos, não creiam na
Bíblia, tudo bem, respeito. Eu acredito na Bíblia e segundo ela só há uma
maneira de ser salvo e ir para o céu: aceitar a JESUS como Salvador. Só temos
essa vida para decidir isso, e não sabemos quanto tempo ela vai durar.
Minha conclusão disso tudo? Não espere ~tempo~
para fazer coisas que você pode fazer agora, não se desespere por ainda não ter
alcançado seus objetivos, mas não deixe de tê-los. Saiba que somos como uma
erva que hoje está viva e amanhã não mais, não temos poder sobre o dia da nossa
morte, o que podemos fazer devemos fazer enquanto estamos vivos pois não
sabemos se o dia de amanhã será bom ou mau.
*Texto publicado no meu outro blog Cristã e Chic em 07/07/14
domingo, 8 de junho de 2014
Copa do Mundo
Era 1994,
lembro bem desse ano. Eu tinha começado a 5ª série (hoje seria o 6º ano). Foi o
ano que Ayrton Senna morreu. Lembro muito bem de assistir todos os domingos às
corridas de F1 e estávamos assistindo aquela no dia 1º de Maio. Morávamos em
São Paulo e quando tinha corrida em Interlagos dava pra ouvir o barulho dos
carros, isso marcou minha infância.
Também houve
um acidente na minha família, meu tio levou um tiro, como esquecer aquele ano? Era também ano de Copa e é por isso que estou
escrevendo. Já faz 20 anos e até um dia desses (alguns anos na verdade) eu
sabia a escalação daquela seleção, contra quem o Brasil tinha jogado, o placar
e quem tinha feito os gols. Aquela Copa também marcou a minha infância. Parece
que depois dela, nenhuma mexeu tanto comigo. Nenhuma teve aquele brilho, aquela
expectativa, aquele sentimento de achar que os jogadores eram heróis. Ser Tetra
Campeão naquela época parecia que de alguma forma amenizava muitos problemas.
Antes de
qualquer coisa quero dizer que sou a favor do esporte, apesar de sempre ter
sido perna de pau para tudo, é inegável os benefícios que a pratica de qualquer
esporte traz para o individuo. Tanto torcer por um time como praticar qualquer
esporte traz um sentimento de euforia, de felicidade, de alegria. Bem, quem torce
por algum time ou pratica algum esporte sabe do que eu tô falando.
Mas muito bem, eu achei uma Copa que mexeu
mais comigo do que a de 1994, e olha que essa ainda nem começou. Já ouvi e li
taaanta coisa. “Vai ter copa!”; “Não vai ter copa!”; “Na Copa vai ter luta” ;
“Era para ter protestado antes de decidir fazer a copa no Brasil” ; “Proteste
nas urnas” ; “Essa Copa vai ser o maior roubo da história do pais” ; “O Brasil
já perdeu, mas a seleção vai ganhar”, enfim, esse é o assunto da vez.
Confesso que
fico um pouco confusa sobre o que pensar sobre várias coisas, mas um pensamento
eu já tenho definido: Essa Copa foi o maior tiro no pé que já se viu! Láááááá longe
quando foi decidido que a copa seria no Brasil acho que ninguém teve a dimensão
do que isso iria se tornar. Talvez alguns (como eu) devem ter pensado: É, quem
sabe pinga alguma coisa pro Brasil e uma rua ou outra é asfaltada, um hospital
é reformado, um aeroporto é melhorado, o comércio vende mais, os restaurantes e
hotéis enchem, etc. Doce ilusão. O que
temos visto é um clima de insatisfação geral. Basta conversar com quem mora em
cidades-sede, além de obras inacabadas o clima ruim que tudo isso gerou queimou
muito a imagem da Copa no Brasil. Se eu for falar de tudo o que temos visto,
ouvido e lido sobre a copa daria um livro, e dos grandes! Desde o nome do
mascote até o gasto exorbitante com os estádios (gente eu não acreditei que o
nome era Fuleco, achava que era brincadeira do canal Porta dos Fundos, faz duas
semanas que eu vi que esse nome era de verdade).
Pra falar a
verdade, se eu fosse turista não viria para o Brasil na Copa. Eu ou você, pessoas
insatisfeitas com a situação do nosso país, talvez manifeste sua insatisfação
com tudo isso escrevendo um texto, compartilhando uma imagem de no facebook,
comentando no trabalho ou em casa, fazendo uma caminhada pacífica, votando
diferente(isso é o mais importante, mas
eu sei (e você também) que existem pessoas que só isso não basta e vão sim quebrar, brigar e
fazer confusão, é fato. Não tiro a razão de quem se exalta dessa maneira
(motivos temos sim), mas cada um tem a sua cabeça e eu só tomo conta da minha,
então como “Seguro morreu de velho” eu evitaria ambientes de risco
(infelizmente leia: locais próximos aos jogos). Vocês podem dizer que eu sou
pobre, feia e recalcada e não tenho dinheiro para ir ao estádio assistir um
jogo da Copa do Mundo e vou falar, vocês estão certos, exceto sobre feiura (perguntem
pro meu marido quem é a mulher mais linda do mundo!).
Sinceramente não sei se a segurança desses estádios está 100% (se as
obras que todo mundo vê e comenta não ficaram prontas imagina uma coisa que só
vai dar pra ver na hora!). Não sou terrorista virtual, quero que tudo dê certo
durante a competição, por que independente se qualquer coisa, vai ter copa sim,
mas tenho dois filhos pra criar e muita conta pra pagar.
2014... é esse
ano vai ficar para a história da minha vida também. O ano em que eu vi aumento
de salário bolsa para quem não trabalha, pseudo-cidadãos saqueando lojas
achando que estavam ganhando brinde (pseudo por que na minha cabeça não entra
que um cidadão que acorde às 6 da manhã para trabalhar, enfrente um ônibus
lotado por mais de 1 hora, leve marmita para almoçar, volte do trabalho no
mesmo sufoco, saqueie uma loja por que não tem policial para prendê-lo);
Lojistas com a mão na cabeça ao ver o seu estoque simplesmente sumir (ou vocês
acham que os donos de loja não tem salário, aluguel, agua, luz, segurança,
fornecedor para pagar mesmo tendo sido saqueados?);
cidadãos se espremendo em estações de
trem para voltar para casa por que empresas de ônibus estavam em greve; Mulheres
(sim, mulhereS no plural) tento seus filhos em portas de hospitais ou nos
corredores sem nenhum apoio, orientação.
Vai ter Copa? vai sim. Mas hoje eu sei que pouco minha vida vai
mudar se a seleção ganhar ou perder. Claro que quero que ela vença! Mas a minha
ideia de criança de que o Brasil vai ser melhor por que jogadores brasileiros
vão levantar uma taça já se foi há muito tempo. O Brasil vai ser melhor quando
as pessoas pararem de trabalhar para pagar educação, saúde e segurança básica
(Pelo menos meu salário vai todo para isso), isso é dever do estado.
Para terminar
quero dizer que amo o Brasil, apesar de tudo. Esses dias de tanto ver pessoas
falando tão mal do nosso país me veio uma comparação na mente. Eu tenho minha
família e nela claro tenho problemas, mas nada me fará desistir dela. Amo meu
marido, meus filhos, meus pais, minhas irmãs apesar de todos os problemas que
temos juntos. Da mesma forma amo meu país, apesar de subdesenvolvido e mal
administrado. Não escolhi nascer aqui, nem escolhi a minha família, mas aprendi
a amar os dois.
Desabafo de uma brasileira
*Texto publicado em meu perfil pessoal do facebook uns dias antes da Copa 2014 começar
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